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19/02/2013

Inovação Colaborativa

 

A inovação colaborativa é um tema emergente no mundo, com número de publicações crescente nos últimos 20 anos e uma média maior que 50 citações. Foram realizadas 4.400 pesquisas mensais no Google sobre o tema “Collaborative Innovation” nos últimos 12 meses, sendo 58 no Brasil.

 

Historicamente, o primeiro número significativo de buscas sobre “Crowdsourcing” no Google foi nos Estados Unidos, em 2008, concentrados na cidade de Nova Iorque. Na Holanda, Alemanha e Reino Unido as buscas ganham força em 2010, concentradas nas cidades Amsterdã, Londres e Madri.

 

Nos últimos 12 meses foram realizadas em média 300.000 pesquisas mensais no Google sobre o tema “Crowdsourcing”, sendo 12.000 no Brasil, e um levantamento mostra que este valor é crescente.

 

Nos últimos 12 meses foram realizadas em média ainda 320 pesquisas sobre “Crowdsourcing Management”, sem número significativo de registros de pesquisa no Brasil; vale destacar que “Crowdsourcing Management” começa a atingir um volume de buscas significativo no mundo a partir de novembro de 2010.

 

Em 2011 o Brasil ganha espaço entre os buscadores sobre o tema “Crowdsourcing”, com destaque para a cidade de São Paulo, juntamente com os países Índia, Canadá, Austrália, Itália e Espanha. Em 2012 o tema ganha volume nos estados Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, juntamente com as cidades Cingapura, Berlim, Washington, Sidnei, Chicago e Milão.

 

A colaboração é uma tendência social e as tecnologias de informação permitem hoje a “massificação” desta atitude para conferir diversidade e originalidade às soluções.

 

A sociedade vive a emergência da terceira onda, um novo ciclo econômico caracterizado pelo Conhecimento e desmaterialização da economia (Toffler & Alvin; 2007). É o surgimento de uma “economia do conhecimento” com estreita relação entre valor e ao conhecimento incorporado aos produtos ou serviços (Tapscott e Williams; 2007).

 

A chamada sociedade da informação ambientou a criação de diversos sistemas de informação como os SIG’s (Sistemas de Informações Gerenciais), ERP’s (Enterprise Resource Planning), CRM’s (Customer Relationship Management) e BSC’s (Balanced Score Card). Na sociedade do conhecimento o registro de dados e a emissão de informação perdem espaço para o significado da mensagem para o receptor. Os sistemas antigos são renovados considerando a adequação do usuário à capacidade de registro e processamento do sistema.

 

Há uma demanda por Sistemas de Informações Significativos (SIS) capazes de colaborar com as limitações dos usuários em atribuir significado às informações e aos dados disponíveis. Tais limitações vão desde fatores culturais, como a afinidade ao ambiente tecnológico e as competências individuais, até barreiras de idiomas que separam empresas de um mesmo grupo em diferentes países.

 

A evolução do pensamento estratégico sugere uma tendência a reconhecer a importância de algo que Gary Hamel chama “democratização da estratégia” como ponto crucial para o futuro das organizações (Mintzberg et all; 2000) (Gibson; 1998). Logo, as organizações devem compreender que abrindo mão de comando e controle poderão obter os benefícios da inovação: Caos makes Serendipity.

 

Hoje, deve ter se tornado claro que não existe a organização certa, “apenas organizações, cada uma das quais possui forças e limitações distintas e aplicações específicas” (Drucker, 2001, p. 19). Qualquer modelo organizacional, desde seus fundamentos, não representa um item absoluto. O modelo organizacional é apenas “um instrumento para tornar as pessoas produtivas no trabalho conjunto”, um aspecto num sistema. Cabe aos gestores encontrar a estrutura organizacional mais adequada para realizar tarefas em determinadas condições e ocasiões.

 

As organizações oriundas da economia industrial estão fundamentadas nos princípios administrativos clássicos de autoridade, controle e poder (Taylor, Weber e Fayol). Os novos modelos de gestão pressupõem um nível de autoridade e decisão na linha de frente para que o conhecimento individual possa emergir e realizar sua contribuição. Drucker (2001, p. 21) afirma que “as pessoas têm de conhecer e compreender a estrutura organizacional na qual se espera que trabalhem”. Apesar de óbvio, o autor esclarece que esse princípio é violado com muita freqüência nas instituições.

 

Segundo Peter Drucker “esta é a era do conhecimento e a próxima será a da sabedoria, a sabedoria sendo o conhecimento temperado pelo juízo”. Afirma-se aqui que o entrave atual é o amadurecimento no ambiente organizacional que envolva o ser humano. Afinal, hoje se espera dos colaboradores mais do que uma contribuição material: eles devem oferecer uma contribuição social ao ambiente organizacional para garantir a tão esperada vantagem competitiva sustentável. Logo, cabe oferecer resistência ao reducionismo que condenou modelos anteriores de gestão a simples modismos, superando os limites de uma ilusória gestão racional conduzida por modelos excessivamente pragmáticos.

 

Os recursos para inovação envolvem especialidades nem sempre disponíveis nas empresas, nas localidades, no país e a alocação de recursos internos nem sempre é a escolha mais viável para enfrentar esse novo desafio. A utilização de recursos compartilhados é uma solução e já observamos a constituição comunidades virtuais de inovação.

 

A “inovação aberta” (Chesbrough, 2003) é possível se houver clara definição dos problemas que serão compartilhados e divulgação das informações necessárias aos potenciais colaboradores. Trata-se de transferir, seletivamente, parte da propriedade intelectual e de outros recursos para um pool de bens comuns, para que grupos mais amplos interajam em busca de soluções (Tapscott e Williams, 2007).

 

A maioria das organizações não consegue realizar pesquisas, mesmo em disciplinas fundamentais para os seus negócios, muito menos reter dentro dos seus limites os talentos do setor. Abertura, colaboração, compartilhamento e ação global são condições fundamentais para atuar na economia do conhecimento (Tapscott e Williams, 2007).

 

O sucesso da colaboração tem relação com o fato de alavanca a auto-organização – estilo mais eficácia do que a gestão hierárquica. Embora seja importante proteger a propriedade intelectual crítica, a colaboração eficaz requer participação em espaços comuns para construir ecossistemas dinâmicos em bases comuns de tecnologia e conhecimento para acelerar o crescimento e a inovação (Tapscott e Williams, 2007).

 

O amadurecendo das ferramentas de colaboração em massa permitem a interação e criação com mais pessoas em mais regiões do mundo usando um conjunto de capacidades mais versátil (Tapscott e Williams; 2007). É uma forma de agir globalmente atravessando as fronteiras organizacionais e se conectando com clientes, parceiros, fornecedores e outros participantes que agregam valor. Além disso, a articulação em rede melhora as capacidades práticas dos indivíduos em fazer mais (Benkler; 2009) com menos transtornos e mais prazer (Tapscott e Williams; 2007).

 

BIBLIOGRAFIA:

 

BENKLER, Yochai. The Wealth of Networks: how social production transforms markets and freedom., New Haven: Yale University Press 2009. Disponível em <http://www.benkler.org> Acesso em 10 de maio de 2012.

 

CHESBROUGH, Henry W. Open Innovation and Strategy. Berckley: University Of California, 2007.

 

DRUCKER, Peter F. Desafios gerenciais para o século XXI. São Paulo: Pioneira, 2001.

 

GIBSON, Rowan. Repensando o Futuro. São Paulo: Makron, 1998.
 

HAMEL, Gary; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo Futuro. Rio de Janeiro: Campus, 1995.
 

HITT, M. A.; IRELAND, R. D.; HOSKISSON, R. E. Administração Estratégica – Competitividade e Globalização. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001.
 

KANTER et all. Inovação – Pensamento Inovador na 3M, Dupont, GE e Pfizer. São Paulo: Negócio, 1998.
 

MINTZBERG, Henry. Safari de estratégia um roteiro pela selva do planejamento estratégico. Porto Alegre: Bookman, 2000.
 

TAPESCOTT, Don; WILLIAMS, Anthony. Wikinomics: Como a colabaração em massa pode mudar o seu negócio. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira: 2007.

 

TOFFLER, Heidi; TOFFLER, Alvin. Riqueza Revolucionária – O Significado da Riqueza no Futuro. São Paulo: Editora Futura: 2007.

 


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